Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

BCI

Textos de Marcelo Mosse

Na semana passada, uma mensagem de WhatsApp circulou, viral, pela net fora, sendo consumida vorazmente pelos utentes daquela rede social. Era o relato do drama de uma família que teve uma paciente internada no famigerado Hospital Privado de Maputo (HMP). 

 

Quase cinematográfico, o enredo juntava dor, chantagem e morte. Uma mulher foi internada, melhorou (e sua conta subiu drasticamente) e depois virou óbito (quando a família revelou dificuldades de juntar as somas cobradas). Mesmo depois do óbito, o HPM insistiu na cobrança, como o cobrador do fraque...com seu bisturi apontado para uma veia jugular da doente. Os detalhes dessa vergonhosa trama estão descritos num artigo de “Carta” nesta edição. Mas, são factos que em Moçambique repetem-se ao longo do tempo, com personagens diferentes.

 

O problema – métodos funestos que as clínicas usam para cobrar preços exorbitantes pelos seus serviços médicos – tem barbas.  Ele decorre da ausência de regulação. Com a introdução da economia do mercado, em meados da década de 80, Moçambique foi liberalizando actividades que eram, então, da exclusiva alçada do Estado. A propriedade de clínicas privadas e o exercício da actividade médica foram liberadas.

 

Ao longo dos anos, clínicas privadas cresceram como cogumelos, mas o Estado nada fez para impor ordem na sua actuação, mormente no que diz respeito à regulação da oferta de procura de serviços médicos, especificamente na determinação dos preços dos actos médicos.

 

Nos seus primeiros anos, as clínicas privadas usavam como referência os preços praticados na RAS, fazendo tábua rasa da diferença do poder de compra entre os consumidores dos dois mercados. Mas assim foi...que o próprio Estado foi arrastado para essa perversão, usando de um artífice qualquer para abrir uma clínica com preços de privado no serviço público, concretamente no Hospital Central de Maputo.

 

Ao longo dos anos, a falta de regulação oficializou uma selvajaria que se foi sedimentando nas barbas de um Estado ausente, de Governos incompetentes e de uma Assembleia da República completamente à leste do problema. Chegamos a este ponto de pandemia ética. Cada clínica tem o seu precário, carcomendo as poupanças dos seus utentes, que não têm onde se queixar, nem na Provedoria de Justiça, cuja função de advocacia para a melhoria de quadros regulatórios é quase nula.

 

Se as nossas elites políticas quisessem, o Governo já teria posto alguma ordem no precária dos actos médicos. Mas não, essas elites são tratadas em hospitais de fora do país (embora a epidemia do Covid 19 tenha mostrado que essa saída tem limites). Por outro lado, no advento do associativismo, era esperado que as organizações de classe no sector dessem um contribuído para varrer a podridão.

 

Mas nada! A Associação dos Médicos de Moçambique (AMM) tem sido uma nulidade nesse sentido. Era ela que devia chamar para si a prerrogativa de estabelecer, anualmente, um precatório para os actos médicos em Moçambique, numa perspectiva de auto-regulação. É assim que se faz na RAS. No país vizinho, todos os anos a associação dos médicos local determina os preços para cada acto médico.

 

Em Moçambique chegamos à aberração de o Instituto do Coração vir divulgar seu precário, como fez recentemente, num fingimento de transparência que só acontece em país desgovernado: cada clínica tem o desplante de marcar seu próprio preçário, sugando o pobre bolso dos moçambicanos. Este vazio ético se estende ao papel esperado da Ordem dos Médicos de Moçambique. Mais de 15 anos depois dela ter sido estabelecida, ainda não fez o suficiente para que o seu Código de Ética Médica fosse aprovado pela Assembleia da República.

 

Mas chegou a altura de dizer basta! As novas gerações que hoje comandam as entidades relevantes da Saúde têm uma oportunidade histórica: reverter esta prática de medicina de rapina que comanda nossa medicina privada. Já chega! 

 
segunda-feira, 02 agosto 2021 11:17

Quanto estamos a gastar com a guerra?

quinta-feira, 08 julho 2021 13:30

Afinal quem apadrinha a Sasol?

terça-feira, 15 junho 2021 10:12

Sobre o ataque comercial da Vodacom à Tmcel

 
quarta-feira, 02 junho 2021 06:07

Black Bulls from Tchumene, Matola

Caros. O que vamos fazer do Black Bulls? Em Londres, as equipas de futebol têm nomes dos bairros... Fulham, West Ham. Os bairros nasceram primeiro. Depois surgiram as equipas de dentro do seu seio.

 

Nosso caso é distinto. Os Black Bulls nasceram na carolice individual de um grupo empresarial e veio se hospedar no nosso bairro por força das circunstâncias.

 

Acontece que muitos dos que cá vivem já tínhamos nossas equipas. Entretanto, o Black Bulls está aqui. Tem infraestrutura e uma equipa ganhadora. E aposta na formação.

 

Creio que falta uma identificação dos que cá assentaram raízes com o clube...um sentimento partilhado de pertença. E o campo do Black Bulls nos jogos do Moçambola está vazios. Triste ne? Mas o nome Tchumene está sempre nas rádios e jornais por causa do futebol dos Bulls. Um dia vai chegar além fronteiras.

 

Então, o que fazer? O que fazemos? Creio que da parte dos Black Bulls deve haver uma acção de marketing para buscar adeptos, mostrando-se no bairro e abrindo as portas dos jogos para as gentes locais. Quem sabe... nasceria uma sinergia win win a muitos níveis, incluindo instalações para desporto de salão e modalidades. Penso eu de que...se conseguimos repartir nossos corações com Benficas e fauna acompanhante porque não metemos os Black Bulls dentro deles. Eu sou Black Bulls.

Pág. 15 de 29